
Uma aprendizagem, ou o livro dos prazeres - Clarice Lispector
"...Lóri se perfumava e essa era uma das suas imitações do mundo, ela que tanto procurava aprender a vida - com o perfume, de algum modo intensificava o que quer que ela era e por isso não podia usar perfumes que a contradiziam: perfurmar-se era de uma sabedoria instintiva, vinda de milênios de mulheres aparentemente passivas aprendendo, e, como toda arte, exigia que ela tivesse o mínimo de conhecimento de si própria: usava um perfume levemente sufocante, gostoso como húmus, cujo nome não dizia a nenhuma de suas colegas - professoras: porque ele era seu, era ela, já que para Lóri perfurmar-se era um ato secreto e quase religioso."
L.
Nenhum comentário:
Postar um comentário