
terça-feira, 31 de agosto de 2010

quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Norte
domingo, 22 de agosto de 2010
Página 4

Sabia haver mulheres muito mais bonitas que ela. Mulheres que não tinham manchinhas na ponta do nariz, nem o canto esquerdo da boca levemente mais alto que o direito. Mas sentia-se, naquele momento, extremamente sedutora. Não sem razão. Seu corpo magro e preciso envolvido pela firmeza da renda preta contrastando com sua pele alva e negros cabelos era sem dúvida sedutor. Não apenas a sedução superficial do pecado da carne, mas sim, e antes, a sedução do mistério. Seu corpo e expressão guardavam o envolvente fascínio daquilo que se oculta, mas que também se sugere. Sua presença parecia pronta a despertar em qualquer um alguma espécie de curiosidade receosa. Como se seu corpo e mente fossem algo proibidos, e por isso mesmo encantadores. Fora fácil decidir que roupa usar: a confiança que a visão de seu belo corpo refletido no espelho lhe dera, já decidira por ela muito antes de sabê-lo. Com movimentos exatos e decididos retirou do cabide o curto vestido preto sem alças. Ela iniciou passando seus pés para dentro do vestido, e com um gesto suave fê-lo subir até o seu quadril sem que encostasse em parte alguma de seu corpo. De repente, a distância entre eles se desfez, e o tecido surpeendido sentiu a pele perfumada e macia sobre o quadril de sua dona. Foi preciso que ela delicadamente o convencesse a deixar esse aconchego para finalmente repousar sobra a curvatura de sua cintura e seus seios. Fechando o zíper a suas costas, ela finalmente domou o vestido, que cumprira sua sina e seu desejo: adormecer tranquilo sobre a beleza de um corpo feminino. O perfume marcante com toque de ingredientes marinhos veio como consequência natural do seu estado de espírito e roupa daquele dia. Outro perfume não haveria de ser. Apenas ele transformaria em fragrância a confiança e liberdade que sentia.
"Puesto que una mujer que no sabe querer no merece llamarse mujer ". Veio-lhe a mente este trecho de música e soube então que estava pronta, pronta por inteiro. Os pensamentos diante do espelho somados a satisfação com seu próprio corpo completaram-na. Fizeram-na sentir-se mulher. Não que antes não se sentisse, porém dessa vez ela foi além: ela desejou tudo o que pudesse ter. Desejou a intensidade, principalmente. Desejou antes a paixão, ao amor.
Chegou à festa as onze e meia.Quase todos os convidados já estavam presentes, o que a desagradou porque teve que cumprimentar a praticamente todos eles. Em compensação, a decoração a contentou muito. O ambiente escuro, com poucas luzes em tom de vermelho e almofadas e carpetes no chão no lugar de mesas deixava o local aconchegante e sensual. Foi sentar-se com seus amigos. E a noite caminhou indiferente entre conversas leves e banais. Nessa leveza fútil que faz oscilar uma conversa do debate político da semana passada ao mais novo restaurante da Bela Cintra. Mas não! Não era isso que sua mente queria. Era por isso que seus olhos iam e vinham de um lado para o outro enquanto falava com alguém. Eles procuravam algo mesmo sem saber o que exatamente. Esperavam ainda pela surpresa da noite. Desejavam que algo acontecesse, que lhes desse não só a poder de ver, mas antes e principalmente, o poder de admirar.
B.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
O Pequeno Príncipe e outras coisas mais

"- Se eu ordenasse a meu general voar de uma flor a outra como borboleta, ou escrever uma tragédia, ou transformar-se em gaivota, e o general não executasse a ordem recebida, quem - ele ou eu - estaria errado?
...
Os pelos do corpo eriçavam em ondas de calafrio, fazendo-a temer a vergonha que sentiria caso alguém surgisse pelo corredor.
A porta do apartamento continuava fechada, assim como quando chegara ali. Não tinha certeza, mas teve a impressão que o insuportável barulho de lá vindo ainda continuava em ascenção. As músicas era indistiguíveis, interrompidas por gritos e gemidos em pranto.
Pensou em tentar a maçaneta, bater levemente na porta, chamar pelo seu nome... ou até mesmo gritar enlouquecida, implorar para que abrisse. Abrisse POR FAVOR.
L.
sábado, 14 de agosto de 2010
E nada mais.

sábado, 7 de agosto de 2010

não podemos crescer
emocionalmente.
Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um."
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Rimas da Vida e da Morte - Amós Oz"[..]Por um momento Rachel vai ficar imobilizada de tanto terror. Mas logo lhe virá uma calorosa centelha que dissipará o medo e ela quase se projetará a correr descalça até a porta trancada para espiar pelo olho mágico e abri-la antes que ele bata: Entre, entre, pois eu o estou esperando. Mas não. Ela não fará isso, porque foram mais que suficientes as decepções e ofensas e esperanças vãs pelas quais já passou, e ela está cheia de cicatrizes antigas dos tantos sonhos que se frustraram [...]"
Quem acha esse trecho a descrição exata do que se passa na mente de Amelie Poulain? Ela tem tudo pra se encontrar com Nino, o homem que sempre esperou encontrar, no entanto ela deixa sempre a oportunidade escapar. Não que ela não queira encontrá-lo, ela o quer, mas é como se ela já tivesse adquirido pelos " tantos sonhos que se frustraram" uma espécie de inércia que a impede de movimentar-se, de tomar uma atitude. Um medo por arriscar o novo, o desconhecido.
(É realmente muito mágico quando alguém consegue colocar em palavras aquilo que todo mundo sabe e sente, mas não conseguimos verbalizar.
Obrigada Amós.)
Página 3

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

domingo, 1 de agosto de 2010
Página 2

No ínicio ela apenas sentia que chico buarque seria o poeta de todos os momentos que viveriam juntos. Não sabia, ainda, que mais tarde apenas lhe restaria a consciência de que chico buarque fora um dia o poeta de todos os momentos que viveram juntos. Era como ser criança novamente. Ela experimentava uma euforia diária pela simples presença do outro. Ele era seu novo brinquedo. Seu novo e preferido brinquedo. Um brinquedo que dentre todos os outros lhe proporcionava maior alegria, e por isso era levado a sério. Tratado com o que podia oferecer de melhor: sua doce e ingênua imaginação. A cada dia renovado pela sua idealização.Foi assim que ela entrou na maioria dos seus relacionamentos. Foi com sonhos despedaçados que saiu de todos eles também. Porém, ela não desistia. Pensava sempre que o rapaz de roupa legal e olhos pequenos virando a esquina poderia ser o escolhido. "Gostei de você. Acho que você gostaria de mim também". Mas a esquina era curta demais, e a vida demasiado rápida. Demasiado inconveniente.
B.