quinta-feira, 14 de outubro de 2010

As Rosas - Ricardo Reis

As Rosas amo dos jardins de Adônis,

Essas vólucres amo, Lídia, rosas,

Que em o dia em que nascem,

Em esse dia morrem.

A luz para elas é eterna, porque

Nascem nascido já o sol, e acabam

Antes que Apolo deixe

O seu curso visível.

Assim façamos nossa vida um dia,

Inscientes, Lídia, voluntariamente

Que há noite antes e após

O pouco que duramos.


oO

que coisa mais linda!

e só me vem uma coisa na cabeça depois de ler esse poema: carpe diem!

mas cada um entende da forma que achar melhor né.

B.


Não Vá Embora - Marisa Monte

"E no meio de tanta gente eu encontrei você
Entre tanta gente chata sem nenhuma graça, você veio
E eu que pensava que não ia me apaixonar
Nunca mais na vida

Eu podia ficar feio só perdido
Mas com você eu fico muito mais bonito
Mais esperto
E podia estar tudo agora dando errado pra mim
Mas com você dá certo

Por isso não me deixe nunca nunca mais
Por isso não vá, não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais

Eu podia estar sofrendo caído por aí
Mas com você eu fico muito mais feliz
Mais desperto
Eu podia estar agora sem você
Mas eu não quero, não quero

Por isso não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais
Por isso não vá, não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca mais"

marisa again.

mas diz que não é legal esse povo que sabe dizer "eu te amo" sem necessariamente dizer "eu te amo"?!

B.

domingo, 3 de outubro de 2010




E a brisa sopra - Marina Colasanti


"Ao amanhecer, quando vindo do mar começava a soprar leve o vento, subia o rapaz no alto daquele prédio, e empinava a pipa amarela. Batendo o tênue corpo de papel contra as varetas, serpenteando a cuada, lá ficava ela no azul até que o final da tarde engolia a brisa, habilitando então a terra sobre o mar, e descendo o rapaz para a noite.


Assim, repetia-se o fato todos os dias. Menos naquele dia em que, por doença ou sono, o rapaz não apareceu no alto do terraço. E a brisa da manhã começou a soprar. Mas não estando a âncora amarela presa ao céu, o edifício lentamente estremeceu, ondulou, aos poucos abandonando seus alicerces para deixar-se levar pelo vento."
L.