domingo, 1 de agosto de 2010

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Era no início que ela podia tudo. Não havia restrições. Não havia obstáculos, porque sequer havia um objetivo exato. Era apenas a simples alegria de sonhar. "Uma idéia que não tem a menor pretensão de acontecer". Era no ínicio que a pessoa amada vivia mais na imaginação que na realidade e por isso mesmo era tudo perfeito, mesmo que incerto. Dizer que não pensava na aproximação física entre eles seria mentira, mas isso não era uma obrigação. Ela adorava antes o sonhar, acordada e dormindo, com a vida que teriam juntos que a possibilidade do encontro dos corpos. Chegava mesmo a pensar que somente a paixão purificava o sexo.


No ínicio ela apenas sentia que chico buarque seria o poeta de todos os momentos que viveriam juntos. Não sabia, ainda, que mais tarde apenas lhe restaria a consciência de que chico buarque fora um dia o poeta de todos os momentos que viveram juntos. Era como ser criança novamente. Ela experimentava uma euforia diária pela simples presença do outro. Ele era seu novo brinquedo. Seu novo e preferido brinquedo. Um brinquedo que dentre todos os outros lhe proporcionava maior alegria, e por isso era levado a sério. Tratado com o que podia oferecer de melhor: sua doce e ingênua imaginação. A cada dia renovado pela sua idealização.Foi assim que ela entrou na maioria dos seus relacionamentos. Foi com sonhos despedaçados que saiu de todos eles também. Porém, ela não desistia. Pensava sempre que o rapaz de roupa legal e olhos pequenos virando a esquina poderia ser o escolhido. "Gostei de você. Acho que você gostaria de mim também". Mas a esquina era curta demais, e a vida demasiado rápida. Demasiado inconveniente.

B.

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