O cansaço já tomava conta do corpo nu, que teimava em continuar ali, comprimido contra o canto da parede. Talvez nem houvesse tanto tempo, e realmente não havia, mas o frio tornava tudo um tanto quanto mais angustiante, fazendo-a quase desistir da espera.
Os pelos do corpo eriçavam em ondas de calafrio, fazendo-a temer a vergonha que sentiria caso alguém surgisse pelo corredor.
A porta do apartamento continuava fechada, assim como quando chegara ali. Não tinha certeza, mas teve a impressão que o insuportável barulho de lá vindo ainda continuava em ascenção. As músicas era indistiguíveis, interrompidas por gritos e gemidos em pranto.
Pensou em tentar a maçaneta, bater levemente na porta, chamar pelo seu nome... ou até mesmo gritar enlouquecida, implorar para que abrisse. Abrisse POR FAVOR.
L.
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