quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Rimas da Vida e da Morte - Amós Oz

"[..]Por um momento Rachel vai ficar imobilizada de tanto terror. Mas logo lhe virá uma calorosa centelha que dissipará o medo e ela quase se projetará a correr descalça até a porta trancada para espiar pelo olho mágico e abri-la antes que ele bata: Entre, entre, pois eu o estou esperando. Mas não. Ela não fará isso, porque foram mais que suficientes as decepções e ofensas e esperanças vãs pelas quais já passou, e ela está cheia de cicatrizes antigas dos tantos sonhos que se frustraram [...]"


Quem acha esse trecho a descrição exata do que se passa na mente de Amelie Poulain? Ela tem tudo pra se encontrar com Nino, o homem que sempre esperou encontrar, no entanto ela deixa sempre a oportunidade escapar. Não que ela não queira encontrá-lo, ela o quer, mas é como se ela já tivesse adquirido pelos " tantos sonhos que se frustraram" uma espécie de inércia que a impede de movimentar-se, de tomar uma atitude. Um medo por arriscar o novo, o desconhecido.


(É realmente muito mágico quando alguém consegue colocar em palavras aquilo que todo mundo sabe e sente, mas não conseguimos verbalizar.
Obrigada Amós.)
B.

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