
Indo pela sombra, salvaguardada pela copa das árvores, o rosto conservava a frieza de quem há tempos não sentia o calor de um cuidado, um toque de carinho. Os carros passavam apressados e o sol brilhava intenso, mostrando que tudo continuava em seu perfeito curso e o mundo era o mesmo, apesar de sua tristeza. Concentrada no barulho que o graveto fazia ao chocar-se contra a cerca de metal, que seguia interminável ao seu lado, ela caminhava pensativa. Quem sabe a mentira fosse inata das pessoas? E quem sabe já era hora de ela se acostumar com isso?
Pois ela havia perdido sua última esperança, esta tão imaturamente abatida por alguém que ela tanto amava. E tudo isso, mais tarde, se concetraria em um choro calado, sofrido, sem sentido de ser explicado a ninguém.
Antes que pudesse chorar, porém, o sol a invadira, tirando-a da sombra que a protegia. As pálpebras, tardiamente avisadas, num átimo se contraíram em prol da proteção daqueles pequenos olhos. Exposta a todo aquele calor, sentiu o envolver de uma energia tremenda que a fez arrepiar em espanto. Foi então que pode perceber... a solidão não era de todo um castigo.
L.
(Silêncio!)
ResponderExcluirSim, meu comentário é um "momento" de silêncio.E sem a pretensão de dizer nada, ele diz bastante coisa...
Luiz Henrique