
Talvez fosse somente isso. Tudo o que ela queria era o início de uma nova conquista, a descoberta de um novo amor. Quando dois seres por algum acaso se atraem inexplicavelmente. Quando uma timidez inesperada surge e qualquer simples atitude se torna um incrível ato de aproximação. Quando uma alegria estranha e incerta toma conta do coração e rir ou chorar são apenas expressões naturais da volubilidade em que ela se encontra. E era isso. Apenas o início, sem dar continuidade a essa aproximação. Prolongar eternamente somente a conquista. Não que ela fosse do tipo que não se entrega, ou que carregasse o medo ingênuo de se entregar. Ela bem que já tinha feito aquilo por muitas vezes: dar um fim na conquista e se entregar ao ardente, porém passageiro, encontro dos dois corpos. Mas o que fazer depois? Como fingir não sentir o esfriar daquilo que outrora era tão ardente? E como não se decepcionar com isso? Foram muitas tentativas, e muitas decepções. Por isso apreciava o momento em que tudo o que a completava ainda era vivo: o início.
Era no início que a entrega era cogitada ser totalmente possível e eterna. Era no início que o fim nem cogitado era. Era no início que a mágoa ainda inexistia. Era no início que ele existia. Era no início que ela vivia.
L.
Meo Deos, vou ler esse texto eternamente.
ResponderExcluiré sempre assim. Até que um dia, não é mais...
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